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A professora e historiadora Mirian Bondin desenvolve um inigualável trabalho de pesquisa sobre a História de Mangaratiba, com especial foco no período da diáspora africana.

Divulgar esse período histórico e o especial papel cumprido pelo tráfego negreiro que escolhia o Porto de Mangaratiba para desembarcar a carga humana escravizada que vinha da África é uma das missões a que se impõe Mirian.

Afinal, a grande maioria dos visitantes ou mesmo moradores desse município desconhecem que Mangaratiba foi uma das principais portas de entrada de africanos no Brasil. Trazidos em condições extremas, muitos vinham a falecer durante a viagem ou ao chegarem ao nosso litoral. Os que sobreviviam, eram vendidos à fazendas de cultivo do café, na região do Vale do Rio Paraíba, para onde seguiam pela estrada hoje chamada de RJ 149, muito famosa e frequentada na época. Essas informações, desconhecidas da maioria dos atuais habitantes, devem ser trazidas à tona e o Parque Arqueológico do Sahy será um espaço de excelência para promoção dessas discussões.

Em conversas recentes com os responsáveis por este blog, Mirian relatou o grande interesse que o Parque do Sahy provoca entre arqueólogos. “Disneylândia da Arqueologia”, nas palavras da chefe da equipe de pesquisadores da UFF, o Parque causa espanto entre os especialistas por trazer indícios de ocupação em diversos períodos históricos, inclusive anteriores ao do tráfego negreiro.

Isto pode indicar sua utilização no período inicial de ocupação de Mangaratiba pelos portugueses, após a derrota da Confederação dos Tamoios, aliança de tribos nativas que se opunham ao confisco de suas terras. Há indícios, inclusive, de práticas de sua utilização na escravidão de tribos nativas e sua “exportação” para as minas de prata de Potosi.

A pesquisa sobre o Parque Arqueológico do Sahy poderá revelar capítulos essenciais da formação de nosso país.Os que apoiam a constituição do Parque e a criação dos instrumentos de ocupação permanente do local e seu uso para conscientização da população tem papel importante para que isto aconteça.

Publicado por: brunolinhares | junho 20, 2015

Câmara Municipal aprova proteção ao Parque Arqueológico do Sahy

VitoriaUma excelente notícia para os defensores do Parque Arqueológico do Sahy e da proteção da memória histórica de Mangaratiba.

Por iniciativa do vereador José Maria de Pinho, foi aprovada pela Câmara Municipal de Mangaratiba, neste mês de Junho, a indicação de N.º 191/2015, que orienta o Poder Executivo Municipal a colocar um isolamento protetivo nas ruínas da Praia do Sahy, onde se localiza o Parque Arqueológico.

Segundo informado ao blog, caberá a Prefeitura implementar a medida aprovada pela Câmara, efetivamente protegendo o Parque e ajudando a preservar as ruínas e a natureza local.

É importante que a população e os amigos de nosso Parque saúdem a iniciativa do vereador e sua aprovação pelos demais parlamentares municipais.

A bola agora está com a Prefeitura. Esperamos que o Prefeito faça um golaço e avance na estruturação de nosso Parque, com a instalação do isolamento protetivo.

Parabéns ao vereador José Maria e aos outros vereadores por esta importante decisão.

 

Publicado por: brunolinhares | outubro 16, 2013

E não se avança na demarcação do Parque

Foto_Aerea_praiaPor esta foto aérea, disponível para qualquer através do Google Maps, é possível notar como as áreas contíguas ao Parque Arqueológico do Sahy já estão sendo ocupadas pelos condomínios e outros empreendimentos imobiliários da região.

Espera-se o aumento da frequência da Praia do Sahy e com isto, os riscos para a integridade das ruínas do Sahy, que fazem parte da História do Município e da própria Diáspora Africana no Brasil.

Não se nota qualquer avanço na demarcação e implementação de um projeto de criação do Parque, apesar do planejamento conjunto entre a Prefeitura de Mangaratiba e o IPHAN.

Como poderemos no futuro contar um pouco desta História para as futuras gerações?

É necessário que a sociedade se mobilize para salvá-la.

Publicado por: brunolinhares | maio 13, 2012

Novas Esperanças para o Parque Arqueológico

 

Algumas iniciativas importantes em curso nos permitem nutrir novas esperanças em relação a efetiva criação do Parque Arqueológico do Sahy.

Em primeiro lugar, por intermédio da Professora Miriam Bondim, o plano municipal de conservação do Patrimônio Histórico de Mangaratiba, define entre suas prioridades a criação do Parque e da Casa de Memória do perído da Escravidão. O autor deste artigo pode apoiar a elaboração deste plano, que basicamente estabelece as bases de viabilização do funcionamento do nosso Parque. A matéria foi apresentada e aprovada pelo IPHAN, fazendo agora do plano de ação para a Costa Vefrde deste orgão federal ligado ao Ministério da Cultura.

Por outro lado, foi criado também o PEC – Parque Estadual Cunhambebe, unidade de conservação integral que abrange um largo território em 4 municípios – Mangaratiba, Itaguaí, Rio Claro e Angra dos Reis. Embora o Parque do Sahy não se situe dentro do PEC e sim na APA – Mangaratiba (Área de Proteção Ambiental de Mangaratiba), com a mobilização da sociedade e dos orgãos governamentais estaduais para a criação do PEC, algumas ações serão desencadeadas para o desenvolvimento sustentável do local, o que deverá incluir a questão da criação do Parque.

Em último lugar mas não menos importante, temos o Projeto Trem dos Mares, de autoria da Prefeitura Municipal de Mangaratiba. A frente do Projeto está o Secretário Municipal de Turismo de Mangaratiba Francisco Ramalho, que busca viabilizar a criação de uma linha de transporte férreo turístico entre Itacuruçá e o Sahy, com intervenções conjugadas para a conservação das ruínas e o desenvolvimento de ações de turismo sustentável.

A conjugação desses esforços e a mobilização e pressão das comunidades podem acelerar o processo de criação do Parque Arqueológico do Sahy. Você, leitor ou leitora deste blog, pode também ajudar, solicitando às autoridades federais, estaduais ou municipais celeridade no desenvolvimento dessas ações e projetos.

Publicado por: brunolinhares | setembro 28, 2008

Ruínas do Parque Arqueológico do Sahy estão ameaçadas

As ruínas do Parque do Sahy estão sob ameaça. Infelizmente uma poderosa empresa aparentemente sem maiores preocupações ou conhecimento acerca da importância histórica e do caráter único representado por este acervo, agora coloca em risco a integridade do sítio arqueológico.

A concessionária da linha férrea que serve ao Porto de de embarque de minerais em Mangaratiba – MRS Logística – construiu um muro que isola e impede o acesso às ruínas. Ao mesmo tempo, restringe o acesso à Praia do Sahy à um único local, distante do Parque e dos caminhos que o percorrem.

Tememos que esta medida acelere a destruição do que resta das ruínas, facilitando e ocultando a sua depredação.

A comunidade local está se mobilizando e através de um abaixo assinado busca reverter a ação mas é necessário que as autoridades e a sociedade civil reajam para evitar o pior.

Pedimos que manifestações de apoio à manutenção da integridade das ruíndas e de repúdio à ação da MRS sejam enviadas através deste blog, de forma a criar uma corrente de solidariedade e proteção ao monumento ameaçado.

Publicado por: brunolinhares | agosto 11, 2008

Mangaratiba durante Ciclo do Café e a Escravidão

O ciclo econômico do Café expandiu-se a partir das fazendas situadas na região fluminense do Vale do Rio Paraíba do Sul, cujo principal centro era situado na cidade de Vassouras.

 

A mão de obra utilizada era de escravos negros, em boa parte, trazidos diretamente da África.

 

Mangaratiba, que até o fim do século XVIII era uma obscura missão jesuíta para os índios tupiniquins, rapidamente se transformou na porta de entrada do contingente africano escravizado. Por sua localização costeira e pela proximidade com Vassouras e os cafezais, Mangaratiba passa a funcionar como porto de chegada, local de recuperação para os cativos e ativo centro  para o triste comércio de seres humanos.

 

O município apresenta grande desenvolvimento econômico neste período – fortunas são construídas a partir do comércio de escravos. Foram estimados em mais de um milhão os africanos aportadas na cidade. A partir de sua “venda” essas pessoas eram levadas para as fazendas de café através da Estrada Imperial que liga o porto ao Vale do Rio Paraíba. De uma das mais importantes vias do Império a atual RJ 155 permanece permitindo a ligação de Mangaratiba ao Município de Rio Claro, mas é praticamente desconhecida e não conta com pavimentação.

 

Na época, o principal local de recuperação dos prisioneiros africanos situava-se na “ilha” de Marambaia, na verdade a ponta da Restinga da Marambaia, onde ate hoje habitam afro-descendentes. O Porto de Mangaratiba e a Praia do Saco, onde se inicia a Estrada Imperial, são locais de referência para a História deste período.

 

Com a lei que proibia o tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queiroz), em 1850, Mangaratiba inicia sua decadência econômica, só revertida a partir do século XX. Mas o que poucos sabem é que apesar da proibição, o tráfico clandestino de africanos continuou no Município. Com a conivência de autoridades e lideranças locais, um vasto complexo foi erigido na Praia do Sahy – as atuais ruínas, com o objetivo de dar continuidade a esta prática em regime de ilegalidade formal.

 

Desta maneira, continuava o comércio operando, embora de forma mais tímida e vigiada. Os prisioneiros vendidos eram levadas por trilha que liga a praia até a Estrada Imperial – na localidade de Benghela,no alto da Serra do Mar, onde eram devidamente “legalizados” como escravos brasileiros.

 

Sobre toda essa importante parcela da História de nosso país desce um pesado manto de silêncio e esquecimento. Restaurar   o Parque das Ruínas do Sahy e criar o Centro de Memória contra a Escravidão e a Discriminação é recontá-la e trazer a reflexão atual sobre todas as formas de opressão, passadas e presentes.

 

O Projeto de Restauração das Ruínas do Sahy é de autoria da Prefeitura Municipal de Mangaratiba, Rio de Janeiro, e foi encaminhado ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, em Dezembro de 2005.

 

Desde que a idéia foi lançada, vários esforços foram realizados no sentido de buscar articular as várias esferas da Administração pública, federal e municipal, de forma a garantir as condições para sua constituição.

 

Esses esforços ainda continuam, agora com a participação da sociedade civil organizada, tendo o CENACOC – Centro de Ação e Comunicação Comunitária, o IPDH – Instituto Palmares de Direitos Humanos e a AMASAHY – Associação de Moradores e Amigos do Vale do Rio Sahy, como as entidades mais engajadas na campanha.

 

 Sua participação, através da divulgação do projeto e deste site, ou trazendo contribuições na forma de propostas, sugestões ou questionamentos, é muito importante para a criação do Parque Arqueológico do Sahy e para a luta pela preservação da memória da diáspora africana e contra o preconceito racial.

 

O documento abaixo dá mais detalhes sobre o Parque e descreve os principais fatos desta trajetória.

 

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Em 28 de Junho último ocorreu um evento importante para a criação do Parque Arqueológico do Sahy.

 

O CENACOC e o IPDH organizaram uma visita às ruínas e à Praia do Sahy, convidando autoridades, representantes da sociedade civil e moradores da região a observarem as difíceis condições de conservação e discutirem medidas imediatas para a retomada da criação do Parque.

 

Compareceram à atividade diversas autoridades municipais, como o Secretário de Governo de Mangaratiba, José Joaquim Madeira, o Diretor de Projetos da Prefeitura, Oduvaldo Silvino, o Administrador da Região do Sahy, Severino, além de membros do staff de protocolo da Prefeitura. Representando as entidades da sociedade, compareceram Bruno Linhares, Naide Marinho e Sergio Bonatto, da Diretoria do CENACOC, Semog, da Diretoria do IPDH e Paulo Cezar de Menezes, da AMASAHY.

 

Verificou-se o bom estado de conservação das trilhas e a limpeza do local, graças aos esforços da Administração Local. Mas um princípio de incêndio, que ocorreu durante a visita, demonstrou a urgência  das ações de proteção.

 

Seguiu-se uma reunião e um coquetel / almoço na região do Vale do Sahy, onde algumas decisões foram tomadas, inclusive a criação deste site, sob responsabilidade do CENACOC.

 

Novas placas de sinalização do Parque também foram prometidas pelo Secretário Madeira, assim como a avalaição de outras necessidades será realizada pelo Diretor Oduvaldo.

 

Ao CENACOC e IPDH caberá a mobilização e divulgação deste projeto na sociedade, buscando envolver outros atores sociais para obtenção de recursos e apoio institucional para a construção do Parque.

Publicado por: brunolinhares | julho 13, 2008

Galeria de Fotos das Ruínas do Sahy

 Faça um Tour Fotográfico pelas Ruínas do Sahy :

 

 

 

 

 

Publicado por: brunolinhares | julho 6, 2008

Porque é essencial a criação do Parque Arqueológico do Sahy

O objetivos do Projeto de Criação do Parque do Sahy é a restauração das Ruínas localizadas na Praia do Sahy situada no Município de Mangaratiba, Rio de Janeiro.

 

O que se busca é resgatar um dos acervos históricos e culturais da mais alta importância para este Município e para o próprio país, já que guarda em si fontes arqueológicas vivas, que percorrem boa parte da história da colonização do país, do reinado e do Império, em particular as tristes passagens do último período da diáspora africana.

 

A História de Mangaratiba – e dessas ruínas – vêm do início da colonização portuguesa, passando pelas guerras entre portugueses e nativos da Confederação dos Tamoios, pela migração dos nativos Tupiniquins, e na última fase, pelo tráfico negreiro, inclusive o clandestino, quando africanos aprisionados aportavam no local para serem enviados escravizados às lavouras de café na Região de Vassouras, Vale do Rio Paraíba fluminense.

 

A restauração das ruínas e a constituição de um parque nacional representam um primeiro e importante passo para resgate dessa história e a construção da consciência contra o racismo e a discriminação.

 

A Praia do Sahy se localiza na Baia de Sepetiba, justamente à frente da Ponta da Marambaia, conhecido local de “engorda” de africanos, que conta até hoje com população remanescente. Embora existam indícios de sua utilização no período anterior ao Ciclo do Café foi nesta época que o complexo se notabilizou como local de leilão de africanos escravizados. Inclusive no período pós proibição do tráfego os leilões teriam continuado, tendo sido construída uma rota alternativa para envio dos cativos a certo trecho da Estrada Imperial que ligava Mangaratiba ao Vale do Rio Paraíba e às fazendas de café.

 

A história e a tradição local assim como a amplitude do sítio arqueológico demonstram a importância econômica, política e cultural da Praia do Sahy e de seu complexo, que hoje se encontra abandonado e sob risco de destruição.

 

 

O projeto tem entre suas medidas iniciais a instauração física do Parque, com a restauração das muradas, isolamento para proteção, construção de postos de atendimento, iluminação, restauração das trilhas e construção de equipamentos de apoio.

 

Através destas medidas, a depredação do local será interrompida e serão garantidas condições mínimas e básicas para a ordenação da visitação e o posterior desenvolvimento de espaços culturais e turísticos no local.

 

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