Publicado por: brunolinhares | agosto 11, 2008

Mangaratiba durante Ciclo do Café e a Escravidão

O ciclo econômico do Café expandiu-se a partir das fazendas situadas na região fluminense do Vale do Rio Paraíba do Sul, cujo principal centro era situado na cidade de Vassouras.

 

A mão de obra utilizada era de escravos negros, em boa parte, trazidos diretamente da África.

 

Mangaratiba, que até o fim do século XVIII era uma obscura missão jesuíta para os índios tupiniquins, rapidamente se transformou na porta de entrada do contingente africano escravizado. Por sua localização costeira e pela proximidade com Vassouras e os cafezais, Mangaratiba passa a funcionar como porto de chegada, local de recuperação para os cativos e ativo centro  para o triste comércio de seres humanos.

 

O município apresenta grande desenvolvimento econômico neste período – fortunas são construídas a partir do comércio de escravos. Foram estimados em mais de um milhão os africanos aportadas na cidade. A partir de sua “venda” essas pessoas eram levadas para as fazendas de café através da Estrada Imperial que liga o porto ao Vale do Rio Paraíba. De uma das mais importantes vias do Império a atual RJ 155 permanece permitindo a ligação de Mangaratiba ao Município de Rio Claro, mas é praticamente desconhecida e não conta com pavimentação.

 

Na época, o principal local de recuperação dos prisioneiros africanos situava-se na “ilha” de Marambaia, na verdade a ponta da Restinga da Marambaia, onde ate hoje habitam afro-descendentes. O Porto de Mangaratiba e a Praia do Saco, onde se inicia a Estrada Imperial, são locais de referência para a História deste período.

 

Com a lei que proibia o tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queiroz), em 1850, Mangaratiba inicia sua decadência econômica, só revertida a partir do século XX. Mas o que poucos sabem é que apesar da proibição, o tráfico clandestino de africanos continuou no Município. Com a conivência de autoridades e lideranças locais, um vasto complexo foi erigido na Praia do Sahy – as atuais ruínas, com o objetivo de dar continuidade a esta prática em regime de ilegalidade formal.

 

Desta maneira, continuava o comércio operando, embora de forma mais tímida e vigiada. Os prisioneiros vendidos eram levadas por trilha que liga a praia até a Estrada Imperial – na localidade de Benghela,no alto da Serra do Mar, onde eram devidamente “legalizados” como escravos brasileiros.

 

Sobre toda essa importante parcela da História de nosso país desce um pesado manto de silêncio e esquecimento. Restaurar   o Parque das Ruínas do Sahy e criar o Centro de Memória contra a Escravidão e a Discriminação é recontá-la e trazer a reflexão atual sobre todas as formas de opressão, passadas e presentes.

 

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